sentenciar teu fim não cabe a mim
bola de neve que não para de aumentar
nunca fui poeta, poucas vezes vi o mar
lobo da estepe, qualquer hora, a morte
vai te encontrar, vai te encontrar, vai..
vai te encontrar, vai te encontrar, vai..
Esta vai ser a epígrafe do meu livro. Tenho que ir pensando nestas coisas, já que um dia hei de terminá-lo. Surgiu na quarta série, depois de ler O Pequeno Príncipe, a ideia de escrever para além de mim. Queria ser escritor. Nada de engenheiro, médico, professor. A ambição que tinha em mente era coisa passageira, como dizia meu pai. Só não almeja ser escritor aquele que não sonha. Poupe-me. Os extremos me irritam. Ou se é um esplêndido escritor, com seus best sellers, escritos de seis em seis meses ou nada. Não há espaço para meio termo. Isso deixavam no ar os opinantes que me cercavam. Tinham eles seus destinos traçados nos mínimos detalhes. O acaso parecia não fazer parte de suas vidas. Clichê é algo para se recorrer às vezes? Por que, se posso viver perfeitamente só com ele?. Aham, era assim.
A partir daí, coloquei na cabeça que encontraria alguma escrita para agradar também a estes corpos pensantes. Muito pensei em histórias que se aproximasse do tilintar de suas vidas. Aquele velho homem, que todas as manhãs, ao se levantar, a primeira coisa que faz é ir para os fundos de casa, pegar alguns pedaços de lenha, uns poucos cavacos e começar o fogo no também velho fogão. Logo dá pra ver de longe o risco de fumaça que corta o céu, junto dos primeiros raios de sol. Parece fazer aquilo para dar sinal de que ainda está vivo. Mora uns poucos quilômetros afastado da província. Diz que quer sossego. Pareceu uma boa temática no começo, mas desse jeito, teria um fim muito triste ou sem graça.
Precisava de algo espantoso de tão inesperado. A tarde estava quente. Transpirava ainda mais com as mãos amarradas às costas. Fazia mais de oito horas que o deixaram naquela cadeira num canto abafado da sala. Não havia luz, e a noite estava próxima, fazendo da penumbra do cômodo algo a mais para temer. E eles insistiam. – Sabes que não sairá daqui com vida se não assinar essa procuração”; “Com essa demora logo vão dar falta de sua presença em casa; É simples, só passar essas terras para meu nome e nunca mais verá meu semblante ou de qualquer um de meus capangas. Amordaçado, o pobre homem lutava, tentando se desvencilhar das cordas e acabar com aquele ultraje à sua honra! Dava para ver o ódio em seus olhos. Boa, mas certamente seria taxada de obscura. Causaria sentimentos ruins depois de ler, já estava até ouvindo as reclamações.
Então, sabe aquela hora que você encara a vida frente a frente, aí ela mostra aquele sorriso precavido, contido, e inesperadamente surge com uma ceifa que parece ir ao seu encontro? Nunca havia passado por isso, pelo menos não tinha em lembrança, até semana passada, quando me veio em mente “A” história. Conheci Alzira quando estudava no ginásio. Éramos amigas, mas foi depois de ela vir morar na casa da frente que nossos laços de amizade floresceram. Deve fazer uns seis anos que está casada com o Cláudio. Sua filha Ana tem 5 anos, e o pequeno Arthur, 2. E como sua família é feliz. Aqui da janela do meu quarto, quando sento em frente ao espelho para escovar os cabelos, vejo a sala da casa dela. Como são felizes, todos sempre contentes, assistindo TV, jogando cartas. É... Eu e o Anselmo estamos juntos há quinze anos... já não está tão claro em minha memória que tivemos momentos assim.
Ahhh, a tão soberba inveja. O relato da até agora desconhecida narradora mostra o início da confusão que vive por achar o gramado da sua vizinha, e amiga, mais verde que o seu. [Clichê? Ora, por que não? Todos vivem dele]. Confere com as características que eu buscava: é um assunto corriqueiro, deixa expectativas no ar e é tão similar à vida de algumas pessoas que parece até uma história real! Com certeza vai representar algo, minha queda ou redenção, para aquelas almas que fazem de mim um ser que vaga ao léu. Estão abertas as apostas, não percam tempo.

Quando teremos acesso a esse material?
ResponderExcluirNo aguardo, abraçoooo!!!
OBS: First!
ResponderExcluirtu és foda meu caro, mas "foda bom"...igual a sorvete de chocolate ou achar 10 reais em algum bolso de alguma roupa jogada em algum lugar q nao lembrava mais...lol
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